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Postado por: JP Lima, em 08/02/2009 as 23:47


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Quem não pensa em um dia realizar sonhos, construir ideais, plantar sementes e ver arvores crescendo e dando frutos? A apresentação hoje a noite da Banda DESVIO DE CONDUTA no palco principal da Festa de São Sebastião podia ser para muitos um fato irrelevante, mas para um grupo de jovens que plantaram uma semente há alguns anos atrás era mais que presenciar uma arvore crescendo e dando frutos, era subir nesta árvore e colher alguns e se deliciar com o gosto deles. Fico feliz de fazer parte deste grupo e de ter feito parte da fundação da banda. Poderia estar na primeira fila olhando com outros olhos, mas só conseguia me sentir muito orgulhoso de ter ajudado a plantar uma pequena semente há cinco anos junto com Allan e Gel (ainda membros da banda) quando nos reuníamos para fazer o som rolar.

Longe de ser a atração principal em uma cidade de cabeças pequenas e com viseiras, onde as pessoas (principalmente as do poder) só olham para o querem ver, ou para o que julgam que é melhor, o grupo desvio de conduta fez o seu papel e no meio de uma grande multidão haviam pessoas que não estavam apenas em uma apresentação de uma pequena banda de rock, ouvi no meio da galera da primeira fila (onde eu estava) alguém me perguntar, isso é real ou é uma utopia? Não poderia responder outra coisa a não ser, é o começo de uma utopia, mas ainda é real.

A apresentação serviu para as pessoas olharem para alternativas diferentes de oferecer diversão para o público. Salientado que a diversidade existe, temos que lembrar da heterogeneidade do ser humano, apesar de sermos de uma cidade pequena e no interior da Paraíba não somos APENAS FORRÓ, assim como também não somos obrigados a aceitar apenas forró. Em três dias temos mais de 18 horas de festa corrida e convenhamos, não é nada confortável ouvir o mesmo repertório três vezes por noite durante as três noites na nossa cidade. Tomamos como exemplo a nossa cidade aqui também do interior da Paraíba Guarabira que sua festa (A Festa da Luz) vem ganhando cada vez maior projeção por trazer alternativas diferentes de diversão, agradando a todos, desde os mais exigentes até os que se conformam com a TRISTE PRESENÇA DE AVIÕES DO FORRÓ, que pasmem, podia ter seu show substituído por mais uma hora do grupo DESVIO DE CONDUTA que a noite já estaria garantida para muitas pessoas presentes ali.

Lembro que não sou contra o forró, estou refletindo apenas sobre o seu excesso, a nossa população não precisa de uma alienação mútua que é implantada aos poucos sem que se perceba. Hoje, como já falei, presenciamos um fato histórico na tradicional festa de são Sebastião, apesar de ser tão pouco valorizado, mas o primeiro passo para o início de uma grande história de valorização da diversidade foi dado.

Deixo como sugestões alternativas, tipo: por que não valorizamos mais a excelente música dos anos 80, quem disse que não existe samba de qualidade? Por que nos esquecemos do maracatu, genuinamente pernambucano, da ciranda, do coco, do batuque do axé? Acredito que se não oferecermos alternativas para as pessoas, será cada vez mais difícil aceitar as alternativas oferecidas.

Por favor autoridades fica também meu apelo, (apoiado por muitos), que isso se repita mais vezes e em outros palcos da nossa cidade, também não queremos esperar por mais um ano para mais meia hora de show de qualidade na Festa do Próximo ano, por favor, não nos façam de coringas! Poderia fazer alguns elogios para quem permitiu que os “moleques” se apresentassem se não soubesse da falta de interesse para isso da parte quem faz a festa. Certo, concordo que os gostos são diferentes é justamente isso q estou defendendo, mas temos que concordar com uma coisa: VIVA O MAU GOSTO. Por favor, não aguento mais ouvir que "Borboletas sempre voltam e ... ", "Pisa, pisa, pisa na barata", "Mulher não trai, mulher se vinga", "Thetetê, chê chê chê". Por favor, precisamos de socorro!

Sei que esse conceito de mau gosto é complicado, o que pode ser mau gosto para mim, pode ser de bom gosto para outros, e outros muitos por sinal, mas lembro novamente que somos diferentes uns dos outros e se é mau gosto de todos os lados, então valorizaremos todos os maus gostos que existir e que conhecermos.

Como resolver a carência de uma manhã de domingo com um forte sol e sem nada pra fazer? Bem, a criatividade do brasileiro é impressionante quando não tem nada pra fazer... olha só, presenciamos de tudo um pouco em um dia como este, desde aqueles que sentam na calçada de casa para tomar uma boa e gelada cerveja, até aqueles que realmente improvisam com um churrasco e mais cervejas boas e geladas. Alguns, principalmente no verão migram em direção ao mar, aproveitam o quanto pode um dia ensolarado, se deslumbram no prazer e sensação de estar em um dia de festa.
Tem aqueles que não saem, hibernam esperando a dura manhã seguinte de segunda-feira, esses são de fato os mais triste, é esporte espetacular na TV, o defasado humor de quinta da Turma do Didi, até chegar à lenda Silvio Santos, esse sim toma conta de toda a tarde de domingo de muitos brasileiros até chegar à dura concorrência de Faustão e Gugu Liberato... mesmo assim, o brasileiro senta, passa o dia inteiro na frente da TV e se diverte em um dia de domingo. O futebol, ah o futebol é presença marcante na folga, os marmanjos estão cansados de ver o delicado ou em alguns casos enrugados rostos de suas queridas e outrora amadas esposas e reúnem aqueles velhos amigos para “bater uma pelada”. Implícito a isso vem aquela rodada boas e geladas cerveja após as disputadíssimas partidas que terminam em 0 x 0 por pura “pernisse de pau”.
As crianças esperam esse dia como o dia em que irão ganhar a salvação, tudo isso por causa de um tal parquinho que a mãe prometeu levar desde o início da semana. A casa da vovó parece mais ir a um playground onde tudo é muita festa, os primos se encontram e não precisa esperar muito tempo e lá vem o Zezinho chorando porque o Joãozinho tomou o seu brinquedo e aí caro amigo leitor, a novela e longa! Aquele pai de família que passa a semana inteira no trampo e no fim de semana, após a feira se encontra de certa forma duro, não deixa que a diversão falte em seus lares, basta ligar aquele som de 1700 Wts, muitas vezes com um brega que fala de amores passados e o domingo acontece de forma nostálgica, certa magia parece surgir nessas pessoas ao lembrarem o passado através de uma letra piegas.
Fico por aqui caro leitores, a final, hoje é domingo e preciso fugir, talvez também migrar, hibernar é válido, ligar a TV quem sabe, o som já ta ligado com a música piegas, a vovó ta em casa e agora mesmo estou indo ao grandioso encontro com aquela loiraça, que gelada fica impreterivelmente viciante pelo seu adorável sabor. Em fim, tudo é válido para fugir da mesmisse de um dia de domingo, ensolarado e com um imenso leque de opções.



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JP Lima - 18/01/2008

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